Inovação na escala local: o que aprendi em Nova York, Los Angeles, São Francisco e seus arredores

Em Nova York, Los Angeles, São Francisco e seus arredores visitei iniciativas e conheci pessoas que estão rompendo padrões e transformando os sistemas alimentares urbanos

Por Patricia Byington*

Entre julho e outubro do ano passado, tive a oportunidade de explorar a relação das pessoas com a alimentação e com os espaços públicos e privados de cidades da costa leste e oeste dos Estados Unidos. Fui em busca de aprendizados e ideias que pudessem fortalecer o impacto de nossas soluções por aqui, considerando todas as diferenças entre os países, mas focando no que é comum para o bem estar de quem vive e trabalha em qualquer grande área urbana.

O tamanho dos desafios nacionais por lá impressiona: a obesidade atinge quase 40% da população adulta e mais de 18% das crianças e jovens. Entre os adultos, a tendência é de aumento a cada ano. Mais de 100 milhões de americanos vivem com diabetes (30,3 milhões) ou pré diabetes (84,1 milhões). Além disso, enquanto os consumidores desperdiçam, em média, 20% de tudo o que comem anualmente, a insegurança alimentar atinge mais de 40 milhões – são pessoas que nem sempre tem acesso à alimentação adequada para uma vida saudável.

E é na vida corrida nas grandes cidades que a alta disponibilidade de alimentos baratos, altamente calóricos e pouco nutritivos concorre injustamente com hábitos alimentares saudáveis, sendo um fator potencialmente mais poderoso para o aumento da obesidade do que o nível de renda, como explora esse artigo do Washington Post (conteúdo em inglês). Outras análises, como a de Richard Florida para o Citylab, com base neste estudo, demonstram que a desigualdade nutricional nos Estados Unidos é causada principalmente pela diferença nos níveis de renda, mais do que pelas características de oferta de alimentos nos desertos alimentares, representando mais de 90% dessa diferença na desigualdade nutricional.

Essa preocupante, complexa e insustentável situação – além de cara para os cofres públicos e bolsos individuais – tem impulsionado inovações pelo país inteiro. Em Nova York, Los Angeles, São Francisco e seus arredores, que figuram entre as regiões mais ricas do país, mas também as mais socialmente desiguais, visitei iniciativas e conheci algumas das pessoas que estão liderando transformações nos sistemas alimentares urbanos e rompendo com padrões que levam a hábitos nada saudáveis.

São empreendedores sociais que enxergam o todo – a relação entre as forças da indústria, o uso do solo e dos espaços na cidade, os [des]incentivos econômicos, a cultura local e as injustiças sociais – e atuam em escala local com modelos que provam que novas realidades são possíveis.

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Durante esta semana vou dividir com vocês o que encontrei por lá de inspirador como exemplos de agricultura urbana ativista em Los Angeles ou hortas planejadas para produção em larga escala, em Nova York. Também contar das ações em New Haven (estado de Nova York), e Berkeley e Oakland, próximas de São Francisco, na Califórnia, que trabalham pela educação e empoderamento de crianças, jovens e adultos sobre os aspectos mais básicos da experiência humana com o que comemos; e, claro, as iniciativas que encurtam distâncias entre a produção e consumo de comida de verdade.

Das conversas e trocas saí com mais certeza de que as ações em escala local, com impacto evidente nas pessoas envolvidas, servem de modelos poderosos no redesenho de sistemas da cidade, da alimentação e de tudo o que influencia nosso bem estar. Vai ser um prazer dividir com vocês estas e outras descobertas neste caminho. Acompanhe!

*Patricia Byington é parte do time de fundadores do Pé de Feijão mobilizados pela necessidade de transformarmos nossa relação com alimentos. Formada em administração pública, tem mais de 10 anos de experiência em ações de impacto social.